Mais uma vez, outro ano se acaba. É engraçado, todo fim de ano ficamos com a expectativa de que o próximo ano será ainda melhor e criamos metas super performáticas, listas imensas de coisas para fazer. E eu te pergunto, será que estamos vivendo para nós mesmos? Ou para os outros?
Sabe, esse ano eu não planejei grandes coisas e, sendo bem sincero com vocês, só quero aproveitar esse próximo ano, estar mais presente no dia a dia. Descobri esse ano que viver o ordinário – o simples, é espetacular. Não precisamos de muitas coisas. Quero correr sem a necessidade de levar meu relógio ou meu smartphone para marcar quantos km eu corri ou qual foi meu pace. Quero sair para algum restaurante ou alguma cafeteria superfaturada, sozinho, tomar um café enquanto leio um livro e curtir a minha própria companhia, sem a necessidade de postar. Não estou dizendo que não irei registrar o momento, acho super legal registrar e sou a favor disso. Até para a gente rever nosso ano. Pegue depois suas fotos desde janeiro até dezembro e veja o quanto evoluiu. Enfim, o que estou tentando dizer é que não precisa ficar o tempo todo postando, se comparando ou esperando quantidades de curtidas para ser validado.
Algo que venho fazendo ultimamente é diminuir o ruído externo, diminuir o consumo das redes sociais, e parei de postar. Só irei postar algo que de fato eu quero mostrar, sem a necessidade de validação. E convido vocês a fazerem o mesmo, focar em vocês, no seu bem-estar, cultivar coisas boas para o próximo ano.
Então, algo que costumo fazer é responder:
- O que você não quer mais carregar para 2026?
- O que você quer continuar em 2026?
- O que você quer começar em 2026?
Nesse último ano eu decidi escrever como foi o meu ano, uma retrospectiva um pouco diferente do convencional. E devo dizer que foram algumas horas escrevendo e vendo o quanto eu mudei. Foi um ano em que me apaixonei, conheci pessoas novas que espero levar para a vida, comecei a faculdade de psicologia, participei do meu primeiro congresso, fiz minha primeira apresentação, criei um clube do livro… Teve vários momentos bons, mas nada na vida é perfeito. E essa nova versão quer ser a mais real e honesta possível. Tive momentos de tristeza e desânimo, fiquei perdido e desorientado, me perguntei em vários momentos se estava no caminho certo, tive várias crises de pânico. Mas, apesar de tudo isso, me permiti pela primeira vez ser vulnerável e pedir ajuda. Comecei a terapia e, antes de melhorar, tive que cavar um pouco mais…
Mas sigo melhor. Esse novo Pedro que começa esse novo ano que há de vir está diferente, mais real. Começou a entender que nem tudo é perfeito e que a vida é um embaralhado de dias bons e ruins, e tá tudo bem. Para existirem dias azuis, tem que ter dias cinzas.
E apesar de tudo, me acolher, olhar para dentro, reduzir o ruído externo e se ver. É bonito quando nos permitimos nos conhecer e sermos quem somos, sem plateia, apenas você sendo você.
Desacelere, vá com calma. Eu sei que a gente – eu me incluo nisso, vive em uma era de performance, de chegar logo, de chegar primeiro. E eu te pergunto: para onde exatamente? Para a morte? Rs… Pois é, o único caminho certeiro que temos é que um dia iremos chegar lá.
Então vai com calma, pequeno gafanhoto. Viva o momento presente. Faça as coisas por você. Eu sei que hoje vivemos em um momento de validação. Todos estamos. Sempre postamos algo esperando uma curtida, um comentário, mesmo que inconscientemente. Tente fazer qualquer coisa sem essa pressão. Faça apenas porque é divertido, porque é você.
E para o próximo ano, não quero essa vida cheia de coisas. Quero algo mais sereno e calmo. Descobri que, na minha retrospectiva desse ano, os melhores momentos foram os afetos, as coisas mais simples da vida, que me trouxeram a felicidade mais genuína que tive esse ano. É engraçado como o ordinário é bonito. Perceber esses detalhes e tentar curtir esse caminho. Sem grandes planos performáticos. Apenas ser o Pedro real, simples e humano. Que não é perfeito, que erra, aprende, vive, se questiona. Que não sabe várias respostas para as perguntas que ecoam pela sua mente. E que entende que existem perguntas que não têm resposta certa ou errada, apenas são o que são. E que aos poucos a gente vai vivendo essas respostas e perguntas.
Mas, apesar de tudo isso, ser eu mesmo. Sem máscaras. Sem me preocupar com curtidas e números de seguidores. Até porque, quem precisa de seguidores quando tem amigos? Ou de validação quando se conhece e aceita quem é?
Devemos voltar a conversar com nós mesmos e viver cada dia no modo JOMO – a alegria de perder algo, de ficar de fora desse ruído e viver o mundo real. Antes as pessoas iam para as redes sociais para fugir do mundo real. Hoje, elas vão para o mundo real para fugir das redes sociais.
Portanto, volte um pouco mais para você. Qual foi a última vez que fez algo sem postar, só pelo prazer da atividade? Quando você fez seu último hobby? Você tem algum hobby? Chamamos de hobby, mas seria brincar. Qual foi a última vez que você brincou?
Nesse próximo ano, só saia um pouco do mundo virtual e tente viver mais o ordinário com as pessoas que são importantes para você.
Feliz ano novo.
Até o próximo artigo do blog.











Respostas de 2
Bom dia Pedro! Li e vibrei com cada palavra! Obrigada! Ao acompanhar o seu desabafo pude tranquilizar a minha mente e, percebi que não sou anormal ao ser feliz com o “ordinário”, a simplicidade, a beleza natural da natureza! Muito obrigada Pedro! Feliz 2026 para você, para mim, para nossa família, amigos, para todos! Que a chama da esperança se fortaleça em nós!
Não há de quê! Fico muito feliz em saber que fez sentido para você. E saiba, você não é anormal. Apenas faz parte das pessoas raras que conseguem enxergar beleza no simples e viver o ordinário com serenidade. Não esqueça, é bonito demais ser assim. Feliz 2026 para nós!!